sexta-feira, 24 de março de 2017

Os Princípios Bioéticos e o Debate Sobre a Eutanásia

Nas próximas semanas vamos publicar alguns excertos do artigo da Filósofa *Marta Mendonça sobre Os Princípios Bioéticos e o Debate da Eutanásia.



A reflexão sobre a morte

" Como prática a eutanásia não é uma novidade do mundo tecnológico. Todos conhecemos, e ouvimos serem invocadas, as práticas eutanásicas de Esparta, por exemplo. O que se alterou significativamente na nossa época foi o modo de abordar e de valorizar a eutanásia. De ser uma questão de facto, própria de civilizações que desconheciam os direitos humanos ou que não os reconheciam a todos os homens, algo que nos escandaliza e que há que erradicar, a eutanásia passou a reivindicar-se como um direito: o direito a morrer com dignidade, o direito a decidir sobre o termo da vida, o direito a ser libertado do fardo da vida. Este é também, no essencial, o elemento diferenciador entre a prática eutanásica da II Guerra Mundial e o enquadramento jurídico que se lhe quer dar actualmente. De entendê-la como uma prática desenvolvida à margem da lei e contra ela, por ordem de Hitler, passou-se agora a procurar o enquadramento legal que despenaliza ou que desresponsabiliza aquele que, movido por compaixão, alivia o sofrimento alheio, eliminando uma vida que se diz já carente de sentido. A eutanásia apresenta-se ou reivindica-se como um direito, portanto. Um direito que decorre, argumentam os seus defensores, de três princípios bioéticos comummente invocados e reconhecidos: o princípio do respeito pela dignidade, o princípio do respeito pela autonomia e o princípio de benevolência ou de não maleficência. As argumentações variam e os princípios invocados variam com elas; no entanto, o facto de que, partindo do sentido etimológico – “morte doce” –, a eutanásia tenha progressivamente adquirido o sentido de “morte digna”, revela que se quis pôr no centro do debate a questão da dignidade e do respeito por ela. Também por isso a eutanásia se formula como um direito: temos o direito a uma morte digna. Há, no entanto, algo que surpreende no debate sobre a eutanásia. E é que estes princípios – entendidos como critérios de juízo – são invocados dos dois lados da controvérsia. Também os críticos da eutanásia invocam estes três princípios – respeito pela dignidade, respeito pela autonomia a benevolência ou não maleficência – para fundamentar a tese de que a “solução final” da eutanásia é inadmissível do ponto de vista ético e de que não é essa a morte digna a que todos temos direito."

* Professora de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa

Testemunho de Fátima, doente tetraplégica

Há vinte e seis anos que Fátima convive com a sua paralesia de forma natural. Ficou tetraplégica, devido a um acidente que danificou a coluna cervical. Apesar desta imobilidade tem uma senhora que diáriamente a ajuda e consegue sentá-la numa cadeira na sala de estar.” Não mexo as pernas, nem as mãos, dos ombros para baixo estou imobilizada. Fico bem sentada, só quando a coluna fica cansada é que tenho de me deitar”, explica-nos a Fatinha, como é conhecida entre as voluntárias que a visitam todas as semanas.


Vive no concelho de Óbidos, numa moradia muito cuidada, recebe com regularidade a visita dos dois filhos ( 34 e 32 anos) e dois netos ( 12 e 10 anos) que lhe dão uma "grande alegria". Tem visitas de várias voluntárias que a animam a passar melhor os dias. Sempre sorridente, porque descobriu Deus, o seu conforto vem deste apoio espiritual, “sei que o Senhor pode curar-me”. Serena acrescenta ainda: “Espero sempre o melhor no dia de amanhã, espero o milagre e um dia vou começar a andar. Quero ajudar a quem está a sofrer com esta minha paz, e com a minha esperança. Gosto que me levem à porta para ver o sol e as nuvens, os passarinhos, as ovelhas, enfim tudo é lindo. A criação é linda. Até dou valor a uma folha que cai de uma árvore. A vida é bela, o ser humano é que estraga tudo. Um dia que comece a andar vou ser a pessoa mais feliz à face da Terra. O amor de Deus é o melhor para ajudar os doentes. Foi o encontro com Ele que me deu ânimo e me da forças para querer viver."
Fátima valoriza a vida mesmo estando tetraplégica, o apoio das voluntárias tem sido determinante para passar o seu tempo com outro estado de ânimo.
Redacção STOP eutanásia

terça-feira, 21 de março de 2017

A lei aprovada em Espanha abre a porta a eutanásia

Em 2 de março, foi aprovada por unanimidade na sessão plenária da Assembleia de Madrid a carta de direitos e garantias das pessoas em processo final de vida (DRGE 8/16 PROPL 3856). Entre suas finalidades inclui "regular e proteger o exercício dos direitos das pessoas a cuidados de saúde adequados no processo da morte, estabelecer os deveres dos profissionais de saúde que cuidam de pacientes que estão nesta situação e definir as garantias que as instituições de saúde são obrigadas a fornecer em relação a esse processo "(Art.1 Object). Semanas antes da votação, o grupo Ética Profissional Vida Digna abordou os deputados da Assembleia de Madrid para mostrar como desnecessária essa lei, nos termos em que foi redigido. Desenvolveram um relatório com uma rigorosa análise, artigo por artigo, observando melhorias para evitar a inclusão de medidas que favoreçam a negligência médica, incluindo a eutanásia secreta, que é um crime em Espanha. Na sequência do relatório e depois de trabalhar com alguns deputados, vários artigos foram modificados e esclarecidos, no entanto não são mais do que perigos que abrem a porta à eutanásia, tais como:
- esta lei permitirá retirar a hidratação inadequada ou nutrição, os cuidados básicos regulares não definidos, como está escrito no, recentemente, aprovado texto legal em curso "abre a porta para  práticas de eutanásia encoberta".
- Não concilia a defesa e garantia do respeito da autonomia - mediante o respeito da vontade do paciente - com boas práticas exigido a cada médico.
Pressiona a punição de médicos como "grave" violação, se violarem os "direitos do paciente", o que favorece o abandono das boas práticas no final da vida.
- Forçando as instituições de saúde públicas e sócio-sanitário e privadas a cumprirem a vontade do paciente. Capacita os profissionais para trabalharem protegidos pela "segurança jurídica " do procedimento legal, e o poder de incapacitar, os mais vulneráveis, colocando-os em risco de eutanásia secreta.
Não podemos esquecer que em Espanha houve duas mortes de pacientes a pedido das famílias sob a proteção destas leis regionais morte digna de alimentos, foram Ramona Estevez, na Andaluzia e Andrea Lago, da Galiza. Uma tal lei do final da vida, com base em direitos e deveres, pode levar à inibição profissional (pelo medo de ser punido por obstruir o desejo da paciente) ou deixar o paciente tomar uma decisão errada, especialmente, quando se trata de situações concomitantes agudas que podem adequadamente resolvidos.
"Na vida digna vamos continuar a trabalhar para o direito à vida até ao fim, e lutar pelo valor e a dignidade de cada vida humana. A verdade é que abre se cada vez mais a  porta à eutanásia. Urge portanto, uma maior consciência social e mudança cultural", declarações de Carlos Álvarez,  porta voz de Vida Digna, uma iniciativa de PROFESIONALES POR LA ÉTICA.

Redacção Stop eutanásia

segunda-feira, 20 de março de 2017

Posição da Associação dos Médicos Católicos Portugueses no Debate Sobre a Eutanásia

Apresentamos a posição da Associação dos Médicos Católicos sobre a Eutanásia tomada em reunião de Conselho Nacional, sábado passado, 18 de Março, em Fátima.


" Foi anunciada, para breve, a apresentação na Assembleia da República de dois projectos de lei que visam legalizar a prática da Eutanásia. No último Conselho Nacional, a AMCP aprovou, por unanimidade, um texto sobre a  Eutanásia, o valor da vida humana, o papel do médico e da medicina. Prevendo-se que esteja próximo o debate e votação na AR, a AMCP vem de novo reafirmar a sua absoluta oposição à prática da Eutanásia. São várias as razões  que justificam a nossa atitude.
1 – Somos médicos. Queremos honrar e cumprir o nosso código deontológico, que entendemos como garante do respeito pela vida humana desde o nascimento até à morte natural.
2 – Os princípios da medicina excluem a prática da eutanásia, da distanásia e do suicídio assistido. Não se pode instrumentalizar a medicina com objectivos que são alheios à sua actividade, à sua prática, à sua Ética e à Lei Fundamental.
3 – É função da medicina e do médico minorar  o sofrimento do doente. Fá-lo com a sua competência técnica.  Fá-lo com a sua humanidade, que se faz presença solícita junto de quem sofre.
4 – Não é possível ser médico sem passar pelo confronto com o sofrimento e com a morte. Não somos donos da vida dos nossos doentes, como não somos donos da sua morte.
5 – É possível aliviar a dor física intensa e a angústia. Os medicamentos hoje disponíveis tornam possível o bem estar, sem dor. O sofrimento intolerável é uma referência subjectiva que não pode justificar a morte, seja de quem for. Não pode justificar a morte a pedido. Seria a morte da própria medicina ou do acto de cuidar.
6 – Opomo-nos à obstinação terapêutica – distanásia. A boa prática da medicina inclui a renúncia a intervenções médicas não proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar. Esta renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime, antes, a aceitação da condição humana perante a morte.
7 – Nem sempre é fácil estabelecer uma linha clara entre intervenção terapêutica adequada e a obstinação terapêutica. Os médicos precisam de ter mais formação a este respeito e trabalhar em equipa para melhor poder fundamentar decisões.
8 – O debate público a que assistimos  tem introduzido ideias como as da autodeterminação, da liberdade, da dignidade e da compaixão. É preciso ser claro. O uso destes termos pretende confundir e manipular a opinião pública. A vida é um direito inviolável e irrenunciável. Ninguém deverá ter, seja em que circunstâncias for, o direito a ser morto. A pretensão de querer eliminar o sofrimento é compreensível. Mas não se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a pessoa que sofre.
9 – A AMCP defende o alargamento das redes de cuidados continuados e de cuidados paliativos. Esse é o esforço que uma sociedade mais humana deve promover. Muitos dos membros da associação trabalham nestas áreas. Os seus testemunhos e a sua presença no seio da classe médica e da sociedade portuguesa têm sido fundamentais no esclarecimento e no debate público. É preciso aprofundar as questões relativas ao fim de vida, aos idosos, à solidão. São necessárias políticas públicas que promovam a coesão social e a proteção dos mais frágeis. Quem se sente acompanhado, não desespera perante a morte e não pede a morte como solução.
10 –  Acreditamos que a vida é um valor. Somos confrontados com uma cultura e uma sociedade que pretende redefinir princípios relativos ao respeito pela vida humana. Com uma sociedade que se arroga no direito  de querer redefinir critérios de dignidade humana. E com  a difusão da ideia de que a dignidade varia ou se perde, de acordo com as circunstâncias.
Reafirmamos, pois, com convicção e fortaleza, que toda a vida merece acolhimento, respeito e protecção. Que toda a vida tem dignidade. Que nenhuma circunstância a tornará indigna. Muito menos a doença ou o sofrimento. Nós -  médicos  e católicos - queremos estar ao serviço da vida e dos nossos doentes. Sabemos a importância da confiança na relação médico-doente e no sistema de saúde. A possibilidade da Eutanásia fere de morte esta confiança.  Manifestamos, pois, a nossa veemente oposição à legalização da Eutanásia e à violação ou alteração do Código Deontológico. Defendemos que a Eutanásia não é um acto médico. A AMCP, através dos seus membros, está disponível para o debate alargado que urge fazer.
 Conselho Nacional, 18 de Março de 2017, Fátima "


Opinião: Fátima Vaz Monteiro Esteves*

Retrocessos culturais na sociedade ocidental
O quotidiano da sociedade ocidental é vivido de forma frenética. O tempo de reflexão e informação aprofundada é praticamente inexistente. A consequência desta forma de vida, leva-nos a olhar os acontecimentos nacionais e internacionais de uma forma superficial acompanhada, nalguns casos, com a sensação de nada se poder fazer. Ultimamente, tem-se discutido a possibilidade de legalizar a eutanásia. Dizem os seus defensores que se trata de um ato médico de tirar a vida sem dor, a quem assim o deseje, em virtude de ser portador de uma doença sem cura que cause grave sofrimento e desde que a pessoa esteja na posse de todas as suas faculdades. O sofrimento segundo a praxis experienciada revela mais um carácter moral do que físico, para o qual há sempre solução. Estamos a falar de pessoas fragilizadas pela doença que poderão sentir que são um peso para a sociedade e seus cuidadores. O desgaste de ambas as partes leva a que os técnicos de saúde tenham um papel relevante na diminuição da dor física e moral. Nunca dar a morte! A experiência noutros países onde a eutanásia já há muito é praticada, tem revelado abusos assustadores abrangendo casos de depressão (muitas vezes reativas e com cura), demência o que já levou muitos idosos a fugir da Holanda para Alemanha. A aplicação da lei sabe-se como começa e… como acaba. Para além da própria lei mostrar que a vida não é um bem em si mesmo,só tem este direito aquele que estiver são, fôr útil, eficiente, enfim forte...Afinal à evolução tecnológica contrapõe-se um aumento do pragmatismo ,egoísmo ingratidão indiferença…a eutanásia revela o fracasso do amor, da entrega, do serviço enfim da expressão mais alta da nossa dignidade humana! Proibiu-se, a pedido do PAN, a eutanásia ou o abate, aos animais. O SER HUMANO VALE MENOS???

*Jurista

sábado, 18 de março de 2017

Campanha 16 000 vozes contra eutanásia na Nova Zelândia



Isacc, fala sobre a doença do seu irmão Ruben. Um verdadeiro testemunho de amor familiar que tanta falta faz na sociedade contemporânea. Um video da campanha 16 000 vozes contra a eutanásia a decorrer na Nova Zelândia. Uma boa inspiração para compreender a vida das famílias com doentes e  casos de vida mais vulneráveis. Vale a pena ver com atenção.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Humanizar a sociedade no fim de vida


Para alargar o debate sobre a eutanásia à sociedade civil decorreu, ontem, o I Encontro do STOP eutanásia com jornalistas, num Hotel em Lisboa, com a participação de apoiantes deste Movimento.
Uma oportunidade para refletir sobre o acto da eutanásia e morte assistida e as suas implicações na sociedade, com a participação de vários oradores do Direito à Medicina. O Dr. Francisco Mendes Correia, advogado apresentou o tema:  Estado pode reconhecer que certas pessoas não merecem viver? Mendes Correia analisou os dois projetos de lei do Bloco de Esquerda e do PAN que propõem legalizar a eutanásia. O advogado afirmou que em comum as propostas têm a «fundamentação no direito de autonomia e autodeterminação segundo a qual cada um é o melhor árbitro e juiz para determinar se a sua vida merece ser vivida».
Mas no entender do advogado há uma contradição: «Se o universo de titulares deveria ser todas as pessoas que podem exercer a autodeterminação, os autores destes projetos estão a dizer que a eutanásia é um direito constitucional escondido e que estamos a esclarecer, mas por outro lado estão a destiná-lo a um só leque de pessoas». O advogado considerou que «reconhecer o direito à morte é dizer que aquela vida já não merece ser vivida, é dizer juridicamente que aquela pessoa não merece viver. O Estado reconhece que há certas pessoas que já não merecem viver. É o limite da ditadura».
O Eng Francisco Vilhena da Cunha, falou das consequências dramáticas da eutanásia nos países onde é legalizada: Na Holanda «a eutanásia triplicou desde que a lei está plenamente em vigor. Há um aumento da incidência da eutanásia no total de mortes. A eutanásia e o suicídio assistido estão a avançar nas causas de morte». Além disso, o engenheiro aeroespacial afirma que há casos noticiados de «pessoas eutanásias sem consentimento expresso ou por doenças psiquiátricas. Em 2015, 165 pessoas foram eutanasiadas por este motivo. Na Bélgica, Francisco Vilhena da Cunha alertou para um aumento de cinco vezes em 10 anos.
O Prof. Dr. Germano de Sousa, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, e durante 9 anos como Conselheiro da Academia para as Ciências da Vida, falou de deontologia e ética na medicina: manifestou-se contra a eutanásia, o suicídio assistido e a distanásia «não por razões religiosas ou teológicas, mas éticas». Acrescentou ainda: «Nos nossos princípios médicos e deontológicos há um que é não infligir mal a ninguém… Temos o dever ético e não podemos administrar, prescrever a morte a ninguém mesmo com o princípio da compaixão».
O testemunho do Eng Fernando Costa, um momento marcante para todos nós,  alguém que esteve hospitalizado um ano, partilhou como avalia um cuidador e que virtudes de humildade  devemos todos ter. A Enfermeira Ana Sofia Santos deu o seu testemunho como especialista em Cuidados Paliativos há 9 anos, numa Unidade de Saúde Privada: «O meu dia a dia é ter pessoas que querem morrer e depois já não querem. Quando alguém chega à unidade e pede a eutanásia o que se deve fazer?" A enfermeira explica que o prioritário é acabar com a dor física. Depois «tentar compreender o que está na base desse pedido. Então o que é que se passa? Muitas vezes não tem dor física. Que meio envolvente temos? Que situação existe? É necessário conhecer o que vem por trás, “eu preciso de ajuda, preciso que me escutem e que me ajudem a viver da melhor forma possível”.
Em jeito de conclusão desta sessão para jornalistas foi apresentado um guia de 10 IDEIAS SOLIDÁRIAS, que tem como objectivo despertar e inspirar todos, e cada um, a perguntarem o que podem fazer no aqui e agora. Um desafio ao compromisso pessoal numa tomada de consciência que leva a trabalhar concretamente, de forma simples e possível, na construção de um mundo cada vez mais humano.
Redacção STOP eutanásia

terça-feira, 14 de março de 2017

Continua a discussão da morte assistida em Inglaterra

Continua o debate parlamentar no Reino Unido sobre a morte assistida, apesar da consideração pelo Parlamento Inglês, em 2015,  em não legislar esta matéria. Agora um número significativo de deputados da Câmara dos Lords manifestaram o seu desejo de intervir sobre este debate a 6 de Março deste ano. 
Leia as intervenções mais pertinentes neste documento. Antes do debate de 6 de março de 2017, foi publicado um relatório da Câmara dos Lordes que estabelecia a lei no Canadá e alguns estados nos Estados Unidos. Também fornecia uma visão geral da lei como está atualmente na Inglaterra e País de Gales, bem como um breve histórico jurídico das mudanças e tentativas de alterá-lo. Para saber mais sobre esta noticia aqui.

I Encontro STOP eutanásia para Jornalistas






Morte Assistida? Do Direito à Prática dos Cuidados Paliativos


O Movimento Cívico STOP eutanásia promove no dia 16 de Março, quinta-feira, às 10h00, o I Encontro STOP eutanásia para Jornalistas, que decorrerá no Hotel Sana Rex, Rua Castilho, nº 169, na sala panorâmica.

PROGRAMA

10h00 Abertura

10h05 Pode o Estado renunciar a proteger a pessoa doente? Uma leitura das propostas de eutanásia do BE e do PAN.
Francisco Mendes Correia, Advogado

10h20 Cuidados Paliativos, que respostas na Europa e no Mundo?
Francisco Vilhena da Cunha, Membro Consultivo do Movimento Cívico STOP eutanásia

10h35 Morte assistida? Questões Deontológicas da Medicina.
Germano de Sousa, Patologista Clínico.

10h50 Apresentação da Iniciativa STOP Eutanásia
«10 IDEIAS SOLIDÁRIAS»

11hTestemunhos
Abertura do debate aos jornalistas.

Agradecemos a confirmação da sua presença para o mail stopeutanasia@gmail.com
ou para Tlm: 96 133 21 84



segunda-feira, 13 de março de 2017

Musical sobre suicídio assistido em Londres


Em Janeiro deste ano estreou em Londres, um musical chamado: "Assisted Suicide: The Musical" (Suicídio Assistido- o musical ). O espectáculo tem vindo a  receber  elogios e ovações  de pé, apesar do  tema ser tão dramático. 
Por isso, antes de assumir que é crítico da perspectiva pró-vida, saiba que a criadora do musical - Liz Carr - é uma mulher que sofre de uma doença genética que a impede de se mexer, pois é uma doença que ataca os  músculos, bem como provoca  outras limitações. Mas apesar desses problemas físicos, ela sente-se tão frustrada com a atitude agressiva da cultura que promove o suicídio assistido, que decidiu escrever um musical para oferecer uma outra perspectiva.
Entrevistada pelo Wall Street Journal, Liz Carr ridicularizou todos os clichês que podemos encontrar em filmes e  documentários típicos que promovem a agenda do suicídio assistido: "A música é sempre usada de maneira muito manipuladora.  A música alimenta o nosso estado  emocional.  E pode dizer-lhe:  'Isto é uma tragédia e tem um caminho a optar: O objetivo é normalizar uma escolha que era impensável há uma geração, com o resultado que leva as   a concluir:" Sabe, minha vida não vale a pena viver ".
Assim, em vez de organizar  um debate, escrever um artigo, ou participar numa conferência, ela decidiu criar um musical onde expõe  a hipocrisia e a  tragédia do movimento a favor  de suicídio assistido. Ela contraria  a ideia  de "morte com dignidade", porque nada tem a ver com dignidade.
Para ler o artigo no original clique aqui.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Testemunho sobre a escolha da vida natural até ao fim

Este testemunho mostra como pessoas cépticas em relação à morte natural, quando confrontadas com a realidade da eutanásia podem mudar a sua opinião. 
"Recentemente, conheci Shane num evento de trainning que organizamos em Washington DC. Shane participou do evento para compartilhar connosco a sua gratidão em relação a sua avó, que tinha sido um membro da sociedade Hemlock, um grupo agora conhecido como Compaixão e Escolhas. Mas a avó de Shane mudou de ideias após um vídeo sobre eutanásia.
Shane e a sua avó assistiram juntos ao documentário de Euthanasia Deception. Enquanto assistia ao documentário, a avó de Shane virou 180 graus e mudou de idéias sobre a eutanásia. Shane está tão grato por a sua avó ter visto o documentário de Euthanasia Deception, uma vez que ela tinha sido um activa defensora da eutanásia e suicídio assistido a maior parte de sua vida."
Veja aqui este pequeno testemunho simples, mas verdadeiro.

terça-feira, 7 de março de 2017

Grupo de socialistas condenam aprovação da moção do PS a favor da eutanásia

O comunicado, assinado pelo porta-voz do grupo, Cláudio Anaia, afirma lamentarem a aprovação pela Comissão Nacional do PS de moções a favor da morte, da legalização da droga e da prostituição, lê-se no comunicado enviado esta segunda-feira à Renascença. Para este grupo, a eutanásia constitui “a defesa de uma cultura de morte que não é um crime, é um homicídio”. A primeira subscritora da moção “Eutanásia - um debate sobre a vida”, Maria Antónia Almeida Santos, declarou aos jornalistas, antes da votação, que a eutanásia não é uma “cultura da morte”, mas uma “valorização” da autonomia da pessoa.
A moção “Eutanásia - um debate sobre a vida” foi aprovada com três votos contra e cinco abstenções num total de 202 membros que votaram na reunião da Comissão Nacional do Partido Socialista.
Os socialistas católicos lamentam a aprovação pela Comissão Nacional do PS, que teve lugar no sábado no Porto,  com a participação de António Costa que presidiu a esta Comissão, a qual ficou  marcada pela aprovação de propostas da agenda fracturante.  Para conhecer mais sobre este assunto leia  aqui.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Dados de mortes de eutanásia e de suicídios assistidos no mundo

De acordo com um artigo revisto por médicos publicado no ano passado na respeitada revista JAMA:
Entre 0,3% e 4,6% de todas as mortes são relatadas como eutanásia ou suicídio assistido por médico em jurisdições onde são legais. A frequência dessas mortes aumentou após a legalização. A eutanásia e o suicídio assistido por médicos estão a ser cada vez mais legalizados, permanecem relativamente raros e envolvem principalmente pacientes com cancro. Os dados existentes não indicam um abuso generalizado destas práticas.
Os autores desse trabalho disseram que 35.598 pessoas morreram em Oregon em 2015. Desses óbitos, 132, ou 0,39%, foram relatados como suicídios assistidos por médicos. O mesmo jornal disse que em Washington, em 2015, havia 166 casos relatados de suicídio assistido por médico (equivalentes a 0,32% de todas as mortes em Washington naquele ano).
Curiosamente, o mesmo documento observou que os dados dos EUA mostram que:
A dor não é a principal motivação para o PAS (suicídio assistido por médico). Os motivos dominantes são perda de autonomia e dignidade e menos capacidade para desfrutar as atividades da vida.
Os autores disseram que em casos belgas oficialmente relatados, a dor foi a razão para a eutanásia em cerca de metade dos casos. A perda de dignidade é mencionada como uma razão para 61% dos casos nos Países Baixos e 52% na Bélgica.
Um relatório parlamentar Britânico de 2016 citou a Comissão Britânica de Assisted Dying, que por sua vez referenciou o trabalho de John Griffiths, Heleen Weyers e Maurice Adams no seu livro Eutanásia e Direito na Europa. A comissão disse:
"Não há dados oficiais na Suíça sobre o número de suicídios assistidos que ocorrem a cada ano, uma vez que a taxa de suicídio assistido não é coletada centralmente. Griffiths et Al observam que há cerca de 62.000 mortes na Suíça a cada ano e estudos acadêmicos sugerem que entre 0,3% e 0,4% destes são suicídios assistidos. Este número aumenta para 0,5% de todas as mortes se o turismo suicida é incluído (suicídios assistidos que envolvem cidadãos não suíços).
Cerca de 3,7% das mortes na Holanda, em 2015, foram devidas à eutanásia. Os comités regionais de revisão de eutanásia dos Países Baixos relataram que havia 5,516 mortes por eutanásia em 2015." Isso é de um total de cerca de 147 mil - 148 mil mortes na Holanda naquele ano. Esse número representa um aumento de 4% das mortes por eutanásia em relação a 2014.
Para ter acesso a mais informação veja aqui.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Alargamento do debate da eutanásia para doentes de Alzheimer no Quebec

O Quebec, Estado do Canadá,  está prestes a iniciar um debate sobre a eutanásia involuntária de idosos dementes, depois de um homem de 55 anos de idade, em Montreal, ter alegadamente sufocado a sua esposa que sofria de Alzheimer. Posteriormente postou no Facebook este facto. Michel Cadotte foi acusado de homicídio de segundo grau depois da sua mulher, de 60 anos, morrer numa instituição de assistência. Os deputados do Parlamento no Quebec agora querem abrir um debate público sobre a legalização da eutanásia para as pessoas incapazes de dar o consentimento informado. Este debate sobre a extensão da elegibilidade para a eutanásia está a acontecer um pouco mais de um ano após a entrada em vigor da lei da eutanásia.
A Quebec Alzheimer's Society afirma que os pacientes com demência precisam ser protegidos. "É muito difícil, com a complexidade da demência, saber com certeza o que o doente quer hoje", disse April Hayward, da Sociedade à CTV News. "Eles podem ter expressado um desejo há dez anos e nós sabemos com certeza que é o que eles querem hoje?". Saiba mais sobre este tema aqui.