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sexta-feira, 30 de abril de 2021

Fim da vida: estudo sobre a angústia moral dos médicos




Um estudo qualitativo foi realizado recentemente numa unidade de terapia intensiva na Irlanda do Norte. O seu objetivo é explorar as causas da angústia moral nos médicos e as consequências na tomada de decisão dos pacientes de fim de vida.

« A angústia moral ocorre quando o médico sabe a ação certa a fazer ou a coisa certa a fazer, mas quando os obstáculos e restrições organizacionais impedem que o médico decida nessa direção de acordo com o Dr. Andrew Jameton, um dos primeiros eticistas que estudou a angústia moral das enfermeiras em 1984.
O estudo publicado no International Journal of Medicine revela que "o cuidado no fim da vida é uma fonte de sofrimento moral, pois entre os pacientes internados em unidades de cuidados críticos (USC), aproximadamente 13-20% morrem como resultado de decisões de não intensificar e/ou retirar a terapia que salva vidas. A orientação prévia do paciente raramente é conhecida e é responsabilidade dos outros tomar decisões no melhor interesse do paciente. »
Com base em estudos de caso de pacientes, foram analisadas cerca de 20 entrevistas aprofundadas com médicos seniores e juniores. Como resultado, as decisões são frequentemente tomadas "sob condições emocionalmente intensas e são complicadas pela administração de terapias de suporte de vida e dificuldades em prever a morte". Dois temas predominam nos resultados:
Nos jovens médicos, os casos de sofrimento moral são desencadeados por um senso de futilidade, falta de continuidade, decisões prolongadas e uma incapacidade de garantir uma "boa morte". Médicos seniores parecem ser menos afetados pela angústia moral devido ao seu maior grau de "autonomia" na tomada de decisões.
As consequências do sofrimento moral afetam a vida pessoal, as relações de trabalho e as escolhas de carreira dos médicos.
Este estudo no Reino Unido é o primeiro a explorar a angústia moral dos médicos nas decisões de fim de vida na UTI. Os seus resultados têm implicações que devem ser levadas em conta para a formação de médicos. A pandemia Covid-19 foi um sinal da falta de cuidadores preparados para a morte. Em França, a Limitação e Paragem da Terapêutica Ativa (LATA) é regulamentada pela Lei Leonetti, de 22 de abril de 2005, relativa à lei dos doentes e ao fim da vida.
Este estudo destacou o potencial equívoco do papel do cuidado paliativo na redução dos sintomas e pode melhorar a qualidade de vida do paciente durante todas as fases da doença, levando em consideração as dimensões psicológica, relacional e espiritual de forma abrangente. Os cuidados paliativos de apoio podem coexistir harmoniosamente e simultaneamente com as metas de tratamento; isso demonstra a necessidade de integrar cuidados paliativos em programas de educação de estudantes de terapia intensiva e medicina.
Pode ler o artigo no original aqui

sábado, 19 de maio de 2018

Estudo sobre fim de vida: portugueses preferem investimento nos cuidados paliativos e não na eutanásia.




A Associação Plataforma Pensar&Debater apresentou dia 18 de Maio a sondagem sobre eutanásia e cuidados paliativos. O estudo revela que os portugueses preferem investimento nos cuidados paliativos e não na eutanásia.  A empresa de sondagem IMR dá conta que 75% dos inquiridos concordou com a frase «A prioridade em Portugal deve ser investir nos cuidados paliativos». Apenas 16,7% entendem que a aposta deve ser na legalização da eutanásia. Mas os inquiridos nesta sondagem dividem-se quanto à perceção de possíveis riscos da legalização da eutanásia. Embora 67,5% associe a potenciais riscos de abuso, só 36,2% acha que «envolve muito risco». Esses riscos têm que ver com a decisão de haver pressão ou outra pessoa a decidir a eutanásia.
A sondagem foi feita através de 634 inquéritos telefónicos, em todo o país. As perguntas feitas diziam respeito ao chamado fim de vida: cuidados paliativos e eutanásia. Quanto aos primeiros, 48,4% dos inquiridos dizem saber exatamente de que se trata. Quando se pergunta o que está associado a este tipo de cuidados, 74% respondeu «estar acompanhado», 66,7% «não ter dores», 63,3% «estar apoiado psicologicamente. Talvez por isso uma esmagadora maioria de 85,3% de inquiridos referem que gostariam de ter acesso a cuidados paliativos num momento de doença grave.
A mesma sondagem revela que os principais receios que os portugueses têm quando pensam no fim da vida são: 72% sofrimento, 61,4% ser um peso para a família, 47,9% o sofrimento, 36,5% a solidão.
Saiba mais aqui.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Estudo, em França, "Solidão e isolamento: quando temos mais de 60 anos

A Associação Les Petits frères des pauvres publicou, a 28 de setembro de  2017, um estudo inédito, com o título: «Solidão e isolamento  quando temos mais de 60 anos, em  França, em 2017». Esta investigação  foi conduzida, no passado mês de Junho, pelo Instituto CSA: mais de 1800 pessoas foram interrogadas por telefone e, também, pessoalmente: pessoas em lares, doentes hospitalizados e, também, pessoas presas.
Criada em  1946, a Associação Petits frères des pauvres tem como missão lutar contra o isolamento. Os seus  11.500 voluntários  acompanham mais  de 12.000 idosos em toda a França, numa base de, pelo menos, uma visita semanal. Três conclusões foram  retiradas deste estudo :
· 300 000 Franceses com mais de 60 anos estão em  situação de «morte social»: estas pessoas não se encontram praticamente nunca ou, muito raramente, com outras – seja em, contexto familiar, social, associativo ou de vizinhança. Além disso, não é pelo facto dos idosos estarem em lares, bem acompanhados por um pessoal cuidador atencioso, que não possam, mesmo assim, sentir solidão. A pobreza reforça o risco de isolamento, assim como, o facto de viver no campo ou, fora de uma grande cidade.
· A exclusão  numérica : 31 % das pessoas com mais de 60 anos nunca utilizam a Internet, assim como, 47 % das pessoas com mais de 75 anos e 68 % das pessoas com mais  de 85 anos. As razões são diversas: falta de rede, carência de formação mas também inexistência de meios para a respetiva subscrição. Num tempo onde cada vez mais formalidades administrativas e, outras, se resolvem pela Internet, os idosos são  fortemente penalizados. No entanto, os dispositivos como  os smartphones e os tablets, sendo mais fáceis de usar do que os computadores, permitem que  os idosos comuniquem com a família e amigos, com som e  imagem, mesmo com pessoas geograficamente afastadas.
· 85 Anos, é a nova idade  da mudança para a velhice : é a idade a partir da qual constatamos uma clara diminuição  da autonomia. As pessoas com esta idade têm cada vez menos contactos, saindo cada vez menos. Mas, é também neste momento que os filhos veêm mais os seus pais: 62 % das pessoas com  80 anos e mais veêm um dos seus filhos pelo menos uma vez por semana.
Este estudo demonstra  também que uma grande  maioria das pessoas interrogadas deseja envelhecer na sua casa   (apenas 3 % deseja viver num lar com apoio médico).  Um facto marcante é que 88 % das pessoas com mais de 60 anos considera-se  feliz   (contra 82 % apenas das que têm mais de 18 anos). A rede associativa revela-se muito importante na manutenção de contactos com as outras pessoas. Deste modo, mais de uma pessoa em três   participa durante a semana em atividades associativas, o que permite a algumas criar verdadeiros laços de amizade.
Pode ler no original aqui.