domingo, 16 de fevereiro de 2020

A EUTANÁSIA SOCIAL - por Sofia Guedes


Portugal prepara-se para legalizar a Eutanásia Social. Que quer isto dizer? Que dentro do quadro  dramático, caótico e incontrolável da saúde em Portugal, com uma trágica gestão do Estado, falta de médicos, falta de pessoal que se encontra esgotado, desanimado e sem tempo para olhar para o doente somando as greves quase diárias, o Parlamento decide em poucos dias levar a votação a legalização da Eutanásia. A primeira medida deste Governo a seguir a aprovação do Orçamento de Estado.  É esta a grande medida urgente para Portugal? E quanto aos Cuidados Paliativos? Nem uma palavra de esperança. Para 80% dos portugueses que esperam alívio e atenção para poderem viver o resto das suas vidas, que não sabemos se longas ou curtas, com a dignidade retirada, a resposta é o silêncio. A rapidez da decisão interna entre o PS e BE, discreta, para evitar o contraditório, de levar a aprovação na generalidade os projetos lei da eutanásia no próximo dia 20 de Fevereiro, sem uma profunda reflexão com toda a sociedade e começando pelos os novos deputados, muitos deles ignorantes nesta matéria, diz muito das intenções deste Governo.
Não precisamos de ser muito inteligentes ou académicos para perceber que a Eutanásia “Social” será a solução mais fácil para muitos dos problemas que Portugal enfrenta: uma população muito idosa, não produtiva, com gastos em saúde altíssimos e que dão trabalho aos profissionais de saúde, doentes sem expectativas para voltar a uma vida ativa e deficientes que só dão trabalho...
Já ouvi com tristeza, médicos profundamente humanos dizerem que a fila de idosos nos seus consultórios e nos corredores dos hospitais aumentam todos os dias, muitos abandonados pelas famílias. Que já não sabem o que lhes fazer.
Entretanto na Educação “Social”, na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, ensina-se ou antes, baralham-se os jovens quanto à sua identidade e perde-se tempo e dinheiro a enchê-los de pornografia com os programas de educação sexual, em vez de os educar para a verdadeira cidadania e solidariedade para com os mais frágeis, começando com a sua família.
Com este enquadramento social, para o Governo e partidos de extrema esquerda o que interessa é o dinheiro que o Estado arrecada todos os anos, e que na sua engenharia financeira consegue “provar” mentindo que somos os melhores da Europa, que somos exemplo para o mundo. E claro que os velhinhos, os deficientes e os doentes com mortes anunciadas, vem incomodar essas contas.
Neste contexto, o Parlamento português quer legalizar a Eutanásia “Social”, porque assim vai ajudar o Governo de esquerda a conseguir apresentar no próximo ano e nos que se seguem, umas contas positivas e com um mealheiro que se vai enchendo para pagar aos bancos, a políticos corruptos, a fantasmas que nunca chegam a ser desvendados. Enquanto isso, a Ciência e a Investigação são desvalorizadas, porque elas só servem para despertar a criatividade quando se focam na busca de soluções para o sofrimento. Isso também tem custos. O que mais impressiona é que com a única experiência real dos poucos países que legalizaram a eutanásia, como a Holanda e Bélgica, em que todos os dias se vão abrindo possibilidades de praticar a morte de outros, esses países, começaram por implementar uma rede de Cuidados Paliativos antes de legalizarem a eutanásia.
Com o Marxismo Social falhado, Portugal atrasado, está a dizer ao povo que, afinal para viver com direito a cuidados de saúde, tem de se ser rico e ter seguros de saúde. Os outros? Esses podem começar a assinar o seu atestado de óbito, porque para eles não há solução. Isto é grave, trágico, triste e perigoso.
Para promover uma maior reflexão sobre os perigos da eutanásia o movimento cívico Stop eutanásia organizou no, dia 11 de Fevereiro, o encontro/ reflexãosobre a realidade da saúde em Portugal, no âmbito do dia mundial do doente. Participaram na conversa, em jeito de tertúlia António Gentil Martins (médico), Madalena Trindade ( jovem médica), Miguel Gomez de Aguero, Espanha ( Associacion Profissionales por la ética), Fernando Azevedo, doente Ela e Conceição Lourenço, mãe e cuidadora, representante do Movimento Filhos sem Voz. Humanizar a saúde é preciso, senhores deputados.
Humanizar Portugal é o lema do manifesto apresentado à imprensa, onde pedimos mais cuidados paliativos, mais serviços de saúde e humanização dos cuidados clínicos.
No dia 20 de Fevereiro estaremos na Manifestação contra à eutanásia no largo de S. Bento onde esperamos que muitos portugueses se juntem para dizer bem alto o seu não a esta lei injusta contra a dignidade da vida.
Sofia Guedes, fundadora do Movimento Cívico Stop eutanásia 

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